arquivo de outubro, 2009

30 outubro 2009

Made in Brazil


Assim que vi o Jacaré nascer (ele foi o primeiro da linha Bichos) achava que ele merecia ganhar o mundo. Coincidentemente na mesma época, o Design Excellence Brazil nos convidou para participar do iF Product Design Awards 2010, um dos prêmios mais importantes de design da Europa (conhecido como o Oscar do Design Mundial!!!). Não tivemos dúvidas! Vai o Jacaré! - dissemos. O prêmio consiste em várias etapas, foto, cadastro e, se selecionado virtualmente pelo iF, você manda o produto fisicamente para Alemanha. E não é que ele foi? E, devido a parceria do Programa Design Excellence Brazil com a ABEDesign - Associação Brasileira das Empresas de Design, os finalistas do iF foram automaticamente convidados para participar do Brazil Design Awards 2009, e a gente foi um dos finalistas!! Ou seja, nosso bichinho está lá, concorrendo. Nessa terça (03/11) ocorrerá a premiação, junto com uma festa (de novo!!) de lançamento do evento Brazil Design Week. Além de morrermos de orgulho do nosso Jacaré, ficamos felizes com tantos movimentos para valorizar o design e os designers brasileiros. A gente vai estar lá e depois a gente conta!

23 outubro 2009

De prancha na pachá

Essa semana fomos presenteados com um convite para a festa de 26 anos da revista Fluir, especializada em surf. A festança foi organizada pela Cantareira MKT, um de nossos clientes, e o tema da festa era essa tal de Liberdade. Vestimos nossa roupinha bacana e fomos conferir o evento, que ocorreu no dia 21/10, na Pachá. O evento era para 2.500 pessoas, e boa parte delas realmente estavam por lá. Além da bebida à vontade, também tínhamos a opção de saborear um delicioso temaki, e uma pizza quentinha. Nas paredes da festa, algumas imagens (sempre gostosas) dos surfistas deslizando pelas águas. Melhor mesmo só se fosse na praia! Obrigada Cantareira MKT (mas especificamente, Renato Paiva) pelo convite. A gente adorou!

22 outubro 2009

Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.

Sou, definitivamente, uma pessoa que fala palavrão.  E não falo isso com nenhum tipo de orgulho. Acho lindo aquelas pessoas que enchem a boca para dizer que não falam palavrão. Já ouvi alguns homens dizerem que não acham bonito (adequado?) uma mulher com a tal “boca suja”. O fato é que, às vezes, apenas os palavrões salvam, como já disse Millôr Fernades.
Recebi esse texto da minha mãe. E isso explica tudo. É imperdível.

Palavrões
Millôr Fernades

Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que vingará plenamente um dia. Sem que isso signifique a “vulgarização” do idioma, mas apenas sua maior aproximação com a gente simples das ruas e dos escritórios, seus sentimentos, suas emoções, seu jeito, sua índole.

“Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “Pra caralho”? “Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho, o Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende? No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!”.

O “Não, não e não!” e tampouco o nada eficaz e já sem nenhuma credibilidade “Não, absolutamente não!” o substituem. O “Nem fodendo” é irretorquível, e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo “Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa e você fecha os olhos e volta a curtir o CD do Lupicínio.

Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente impossível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a bravata daquele chefe idiota senão com um “é PhD porra nenhuma!”, ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os clássicos “aspone”, “chepone”, “repone” e, mais recentemente, o “prepone” - presidente de porra nenhuma.

Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um “Puta-que-pariu!”, ou seu correlato “Puta-que-o-pariu!”, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba…Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.

E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cu!”? E sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cu!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: “Chega! Vai tomar no olho do seu cu!”. Pronto,você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e saia à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.

E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”. Sem contar que o nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala. Existe algo mais libertário do que o conceito do”foda-se!”? O “foda-se!” aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor. Reorganiza as coisas. Me liberta.”. Não quer sair comigo? Então foda-se!”. “Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!”. O direito ao “foda-se!” deveria estar assegurado na Constituição Federal. Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se.

21 outubro 2009

Conversa de Rendeira

Comentei aqui, alguns dias atrás, sobre a exposição Design Contemporâneo RIO + FRANÇA que acontece no Rio de Janeiro. Nela seria lançada a coleção Conversa de Rendeira, com jóias inspiradas na renda nordestina com o colorido da chita. Nada mais brasileiro. Aliás, a idéia era representar a identidade brasileira mesmo. Para quem ficou curioso, recebi hoje essas imagens de algumas peças. Elas foram criadas pelas colegas do curso de pós-graduação em Design de Jóias da PUC-Rio: Elisa Paiva (designer), Mariana Caetano (escultora) e Suzanna Calache (geóloga). Por aqui, adoramos!

20 outubro 2009

De caso com a casa

Como uma designer que se preze, dou muito valor para tudo aquilo que é visual. Inclusive, e talvez principalmente, os cantos que me abrigam. Confesso que esses dias a Jaya! recebeu mais caixas - e produtos - do que poderia abrigar de forma estética (ai!), e anda tudo um pouco fora de lugar (pronto, confessei!). Porém, no meu cantinho mesmo, criei uma bela estante cheia de coisas bonitas e coloridas, para dar um refresco aos olhos (e a alma, né?). Outro dia ouvi da moça que trabalha semanalmente por aqui, que o mais bonito do escritório (nesse período de cheia) era a minha querida estante. Ela é mesmo um alívio! Sempre faço dos meus cantos, os meus cantos. Meus espaços têm sempre a minha cara, as minhas colagens, o meu jeito. Lembro de ficar até as 5h00 da manhã, no meu novo quarto em Barcelona, colando coisas na parede para deixá-lo com a minha cara. Por isso essa casinha toda pintada, colorida, personalizada me chamou tanta atenção. É uma casa pra se namorar! Para se sentar do lado de fora e ficar olhando, paquerando. Queria uma pra mim!

Entrei no site desse grafiteiro (Matt W. Moore) atrás de mais informações, e descobri outros inúmeros trabalhos incríveis, de um homem que vem deixando o mundo com a sua cara. E cores.

Matt W. Moore http://mwmgraphics.com/index.html

14 outubro 2009

Um ano depois

A história é verídica. Ano passado fiz um evento em uma loja bacana de São Paulo, nas vésperas do dia das crianças (adoro ver os pequenos agindo e interagindo com meus produtos). Era um sábado à tarde. Sentamos todos no chão e, com canetinhas e giz a mão, começamos a colorir maletas e bancos. Alguns pais estavam por ali para ajudar e incentivar os filhotes. Alguns, mais empolgados, foram dando uma mãozinha mais concreta na obra de arte do pequeno. No meio da tarde noto que um pai, bem mais empolgado, eu diria, está sentado na cadeira agarrado a uma Monstroleta e a várias canetinhas. Gosto de ver os pequenos brincando com meus produtos, mas acho um charme um adulto se encantar também. As horas foram passando, as crianças foram embora pouco a pouco. O evento estava programado para acabar as 19h00. Já passava um pouquinho do horário marcado, quando noto que as crianças já tinham saído dalí com suas obras de arte embaixo do braço, porém restava ainda um papai, agarrado a uma maleta. Olhei pra ele e disse: “Não acredito que eu terei que te expulsar!” - já expulsando o moço que, há quatro horas (!!!), pintava o papelão.

História real, contada a uma jornalista da Folha de São Paulo, que publicou a matéria no dia 11/10/2009. Um ano depois.

13 outubro 2009

Cantinho virtual

Criei esse blog quase sem querer. Não sem vontade, mas sem saber que iria gostar tanto de escrever nele (geralmente espero ficar sozinha no escritório e - a meia luz- fico namorando as linhas, os assuntos e as imagens que quero por e expor por aqui). Isso já seria um prazer enorme, mas tem mais. Vira e mexe recebo notícias de pessoas conhecidas, desconhecidas e (que delícia!) re-conhecidas também (aquelas que depois de um tempão te encontram por meio desse meio mágico que é a internet). Outro dia escrevi sobre fotos de casamento e recebi a dica de uma (re) conhecida amiga, com esse site de uma fotógrafa brasileira cheia de talento. Adorei a dica, adorei ser reconhecida e adorei expor o trabalho de uma brasileira por aqui. Cada dia gosto mais desse meu cantinho virtual.

http://www.danielapicoral.com.br/

8 outubro 2009

Prato preferido

Sou uma apaixonada por fotografia. Fiz cursos, me arrisquei com a Nikon do Papys quando ainda era menina, colei fotos nas paredes do quarto, nas agendas (quem pegou a fase das agendas? As minhas tinham até escova de dente! Guardo todas elas, são relíquias de uma época, de uma vida retratada das maneiras mais inacreditáveis possíveis). Vou a exposições, olho livros, blogs. Realmente é algo que me dá prazer. Dentro do mundo da fotografia, sempre achei impressionante aqueles fotógrafos que conseguem sair do senso comum das fotos (pra lá de tradicionais) de casamento. Acho o tema cheio de possibilidades e adoro uma história de amor. Contada por foto então? É meu prato preferido! Outro dia descobri um site perfeito, do fotógrafo Jesh de Rox. São fotos indescritíveis, não só de casamento, mas de dois. Ou de um. Ou de momentos… É imperdível. É de arrepiar. É de chorar. É de comover. Tem que ver.

http://www.jeshderox.com/

6 outubro 2009

De braços abertos

Sempre comento por aqui o quanto a gente se diverte durante as feiras. Depois do sufoco, é hora de se divertir um pouco. Conhecemos gente o tempo todo. Pessoas que visitam a feira e outros que, como nós, colocaram seus investimentos naquele pedacinho de chão para mostrar ao mundo ao que vieram. Na feira de março desse ano, a gente encontrou gente muito bacana, pessoas que dividiam a “rua” com a gente. Talentos já reconhecidos -como nosso querido Marlon Maia- e outros que ainda iniciam a jornada, mas não com menos talento. Saí da feira com um anel novo em cada mão (esse da foto, inclusive). Os dois obra da talentosa designer de jóias Elisa Paiva.
Para quem gosta de jóias - e design- ela estará lançando a coleção Conversa de Rendeira, com jóias de prata inspiradas na renda nordestina com o colorido da chita (!!) na exposição Design Contemporâneo RIO + FRANÇA, que acontecerá no Centro cultural Correios, no Rio de Janeiro. Não que eu ache que precisamos de uma desculpa para irmos visitar a cidade maravilhosa, mas com essa exposição fica quase impossível resistir. Para quem puder, o cristo espera de braços abertos.

Exposição Novos Talentos 2009 - Designers do Rio de Janeiro, curador Tulio Mariante.
Abertura: 4ª feira, 07 de outubro de 2009, às 19 horas
Local: Centro Cultural Correios, Av. Visconde de Itaboraí, 20 Centro - RJ
Exposição: de 07 de outubro a 01 de novembro de 2009
A exposição integra o evento “Design Contemporâneo RIO + FRANÇA”, patrocinado pelos Correios e coordenado pelo Centro Design Rio.

4 outubro 2009

Papelão vindo de fora


Quando descobri que nossa Monstroleta havia sido (descaradamente) copiada, ouvi dos mais diversos amigos e clientes (além da indignação natural e esperada) que o lado bom era -além do tal sucesso- o fato de que a Jaya! abriu caminho para um mercado novo e inusitado: o mundo do papelão. Um material que antes não era visto como possível de se customizar, se sabia pouco sobre todas as possibilidades que a ele cabem e que ele pode ser sim, muito bacana.
Quando vi uma importadora grande - e bastante conhecida pela inovação e ousadia dos produtos trazidos de fora-, importar um (um não, vários!!) puffs de papelão estampados, entendi que essa é a melhor maneira de se olhar a situação. Ser uma designer que produz no Brasil (com ou sem patriotismo, isso implica em muitas dificuldades) e que se aventura por um mercado pouco explorado, enquanto as grandes empresas apenas seguem o sucesso, faz com que eu me sinta um tanto quanto orgulhosa e, até mesmo bem corajosa. Melhor pensar assim, não?