Dar entrevistas é algo muito engraçado. Pois embora a gente esteja revelando aquelas informações para o entrevistador que nos pergunta, na verdade, muitas vezes, estamos revelando (ou organizando) aquelas informações para nós mesmos. Acho que uma das primeiras vezes que tive esse sentimento engraçado de ter que ir buscar o fio da meada, organizar o sentido das coisas e perceber que, só agora que estou tendo que contar isso é que realmente estou “descobrindo” isso, foi com uma entrevista para a Tok&Stok. Fui matéria de uma revista on-line deles e tive que escrever um texto sobre minhas influencias e inspirações (além de um release sobre mim mesmo - nem vou comentar o poder de auto-análise desse textinho). Sentei na cadeira (e fui arrebatada por essa sensação de que até ali, aquela resposta não existia ainda, nem na minha cabeça) e comecei a juntar os pauzinhos. Fui atrás da minha história e ‘descobri’ (aceito sugestões para uma palavra melhor) que desde pequena, em casa, fomos estimuladas a fazer coisas inusitadas. Lembrei que moramos em uma casa, certa vez, que tinha as paredes pintadas com uma tinta plástica, eu acho, e era possível que a gente desenhasse pela casa toda, de giz e depois apagasse sem nenhum dano ou marcas nas paredes. Pois bem, em todos os aniversários desenhávamos mensagens de parabéns pela casa toda (nós, as ‘crianças’ da casa, mas os adultos também!). Lembro que eu usava as paredes de lousa, quando precisava estudar. Lembro que em algum momento eu e uma de minhas irmãs decidimos enfeitar o nosso quarto, escrivaninha e nossa porta de vidro. Dito e feito. Os adultos de casa gostavam e estimulavam isso. Todas as paredes dos meus quartos sempre foram recheadas com aquilo que eu mais gostava. Lembro que quando arrumei uma casinha fixa em Barcelona, precisei ficar até as cinco horas da manhã colando coisas pelas paredes, para aquele, enfim, virar o meu quarto mesmo. Pois bem, cresci (e hoje as paredes da minha casa tem coisas por todos os lados, obvio) e parede pra mim é muito mais do que apenas um limite de território. É quase um documento em branco do Illustrator. Por isso outro dia me dei conta de todos os protótipos e provas que foram parar… nas paredes! Tudo o que chega por aqui (e é bacana, claro) vai para a parede da Jaya!. Tenho tampa de garrafa térmica, pedaços de stand, banner da ZOO PARADE, protótipos de produtos em produção, pedaços de adesivos de latas… um mundo de coisas que contam a história do que vem acontecendo por aqui nos últimos tempos. E um pouco da minha história familiar também, como não poderia deixar de ser.

