Por aqui, lentamente, passa-se o tempo do corrido pós-feira, da loucura das infinitas (e abençoadas) entregas e, meio sem percebermos, começa o tempo de olhar. Sim, por aqui, agora, é tempo de olhar. Iniciamos a busca da nova coleção bem devagarzinho, entre um dia atribulado e outro, arrumamos algumas horas para falarmos, inventarmos, discutirmos e, na sua maior parte, olharmos. Gosto de olhar o mundo antes de realmente começar uma coleção. E como grande parte do meu mundo, nesse momento, está entre essas paredes, uso a internet para poder espiar o mundo lá fora (e sentir ele um pouco aqui dentro também. Por que não?). Na verdade esse é o período em que abro meus radares, literalmente. Semana passada, na casa de um amigo, vi um objeto singelo, sem nenhuma pretensão, no meio da cozinha. Olhei e rapidamente ele se transformou em outra coisa dentro da minha cabeça. E lá fui eu pro bloquinho anotar. Outro dia, na rua, tive uma ideia de produto olhando para a camiseta de um moço que passava tranquilamente pela calçada, em minha direção. Olhei e a ideia estava lá. Mas como não é todo dia que passam com uma camiseta inspiradora ao meu lado, na maior parte do tempo busco coisas para olhar. Coisas mesmo. Olho -e recomendo- que se olhe de tudo. Acho sim, que a inspiração pode estar numa camiseta na rua, mas também pode estar em uma foto de guerra, em um anúncio antigo, em um álbum de fotos de um amigo pela Europa, fotos de casamento ou em objetos inusitados na casa de amigos. O mundo está ali, vibrando. Vale a pena, às vezes, ir até lá dar uma espiadinha.

















